Liderança Feminina: O que homens e mulheres podem ganhar com isso?

15/03/2017

A inovação surge da integração da cooperação e não da competitividade. Mulheres e homens aceitarem suas características diferentes e complementarem uns aos outros é uma estratégia lucrativa para a empresa e para sociedade.

Cooperar é mais inteligente que competir

Porque falar em liderança feminina não pode afugentar os homens? Muito simples: Mulheres e homens são líderes, clientes, parceiros, colaboradores e ambos merecem respeito. Mas, nem sempre foi assim e lamentavelmente em muitos casos a mulher sofre preconceito em ocupar certos papéis. Isso é uma questão de cultura, a qual vamos aceitando e muitas vezes nem nos damos conta que estamos excluindo alguém, quando por exemplo o vendedor de moto se direciona para o marido e simplesmente ignora o que a esposa tem a dizer sobre o produto. É uma venda que pode se perder... Mais inteligente é atender ambos com respeito e aproveitar que num casal um exerce influência na decisão de compra no outro. Exemplo simples de que o preconceito atrapalha a vida e os negócios.

Liderança feminina não é a mulher dominando tudo! Significa a mulher com espaço para liderar, sem pedir permissão a ninguém. Aliás, no Brasil, hoje a maioria das mulheres fazem o que precisa ser feito com a parceria de outros homens e mulheres. As mulheres do século passado já abriram o caminho que hoje estamos. Não precisamos mais brigar com os homens, nem pensamos em ser melhor, simplesmente precisamos da cooperação de todos. Mulher derrubando mulher e outros homens está fadada ao fracasso, pois para crescer é preciso do apoio de todos. Afinal, liderar é influenciar pessoas e contar com a natural contribuição de todos. Nesse sentido Hunter (2014, p. 38) afirma que: "Em um grupo de líderes todos assumem a responsabilidade individual pelo sucesso do conjunto, influenciando e inspirando os outros a cumprirem seus deveres da melhor maneira possível." O líder precisa ter autoconhecimento e conhecer aos outros, incluindo a sociedade para conseguir influenciar e inspirar as pessoas através do exemplo. Mulheres no poder são referências, mostrando que há possibilidade para todos.

"É pelo exercício do poder que se moldam comportamentos e são forjadas mudanças culturais. Para que as lideranças femininas consigam expressar seus próprios valores dentro de grupos, organizações, assim como produzir efeitos duradouros na sociedade, hão de se desenvolver no exercício do poder." Carreira (2001, p. 22)

O líder tem como papel aproveitar o talento singular de cada membro da equipe e para isso precisa considerar as diferenças individuais, inclusive de gênero. Todas pessoas podem pensar assim e agir valorizando o que os outros tem de melhor. Mosquera (1978, p. 44) diz que: "Uma visão de totalidade é muito mais significativa do que visões parceladas e limitadoras." Assim, é preciso respeitar as diferenças biológicas e o modo de vida de cada um, dentro de um contexto social.

Figura 1: Mapa de empatia - Fonte: Canvas Academy

A aceitação social começa pela estima por si mesmo e pela empatia com o outro. O mapa de empatia ajuda a ver o outro de forma mais inteligente compreendê-lo. Somente sobre o ponto de vista do outro, a gestão será eficiente. Para saber o que o outro pensa deve haver liberdade, confiança e ética profissional sólida na empresa. Pesquisas anônimas de clima são exemplos disso. Lógico que o líder que questiona para entender o outro, precisa estar aberto às respostas e ter humildade para aceitá-las e planejar melhorias em equipe. Em geral, na sociedade, mulheres são conhecidas pela sensibilidade e homens por não demostrar tanto afeto. Então, podemos aprender uns com os outros e chegar na harmonia em nossos relacionamentos pessoais e profissionais. Segundo Carreira (2001, p.47), a liderança feminina contribui para o enfrentamento de todas desigualdades sociais e não apenas de gênero.

Existem vários estilos de liderança que podem ser exercícios pela mulher ou pelo homem. O quadro abaixo faz uma relação entre o papel do coach e do líder no sentido de transformação para as pessoas transcenderem no sentido de ter um significado de vida.

Figura 2: Pirâmide dos níveis neurológicos - Fonte: Coach Adm

Para transcender como mostra a pirâmide, a liderança precisa ser para todos! Assim, a melhor versão de si mesmo pode ser vislumbrada com maior facilidade. E, se você não tem um afigura feminina para se espelhar, seja você mesma a referência!

A liderança ao longo da vida feminina

Diferentemente da mulher, o trabalho é um fator constante na vida masculina. A identidade masculina está relacionada ao trabalho. Já a mulher não sofre tanto preconceito se não trabalhar ou se parar sua atividade profissional. Por isso, as fases da vida feminina têm características distintas da masculina, pois a vida da mulher profissional está sujeita à oscilações, analisadas a seguir, com embasamento de Mosquera (1978) que divide as fases da vida adulta em adulto jovem, meia idade e adulto tardio (maturidade).

Mulher Jovem: Esse é o início de carreira feminina, onde existem várias possibilidades de interrupção da vida profissional socialmente aceitos. Existe a opção de trabalhar, estudar, ambos ou nenhum. Ao homem é trabalhar ou trabalhar e estudar. A essa mulher também é permitido socialmente casar-se e deixar de trabalhar. Ter filhos e deixar de trabalhar ou se afastar. Algumas pessoas podem pensar que promover uma mulher a líder com tantos riscos de interrupção pode ser uma decisão perigosa. Mas, por outro lado, promovê-la a líder por merecimento irá lhe aumentar a possibilidade de continuidade de carreira e contribuições na empresa. A empresa perde quando uma mulher sai do mercado de trabalho, pois isso significa que elementos pessoais foram mais importantes e talvez a empresa não soube valorizar a profissional que ali estava se dedicando.

Mulher de meia idade: Nesse momento, por volta dos 40 anos de idade algumas mulheres que dedicaram a vida à família, retornam ao mercado de trabalho. Sem experiência, elas enfrentam muitas dificuldades e são discriminadas por suas escolhas. Vivemos em uma sociedade contraditória que permite a mulher ficar com a família e se ela volta ao mercado de trabalho é discriminada por sua atitude. Mas, essa mulher, pode ser muito útil para empresa por ter conhecimento da vida e ser de um altruísmo tao grande que abriu mão de tudo para cuidar de sua família.

Mulher na maturidade: É de notório saber que existem mais viúvas do que viúvos. As mulheres na maturidade podem continuar a trabalhar depois da aposentadoria e ainda ter o prazer de ganhar o próprio dinheiro se nunca antes o fizeram. A maturidade ativa é uma excelente opção para as empresas, por serem pessoas com perfil comportamental desejado e muitas vezes não encontrado no público mais jovem como: comprometimento, pontualidade e generosidade.

Muitas das características citadas podem ocorrer em todas etapas da vida feminina. Até mesmo os homens podem ter algumas dessas características, porém em menor evidência.

Quebrando os preconceitos ao longo da carreira feminina

Existem algumas discriminações na vida feminina que podemos olhar de tal forma que as escolhas da pessoa sejam positivas no mercado de trabalho:

Início no mercado de trabalho: Segundo a legislação brasileira, meninos e meninas podem ser jovens aprendizes a partir dos 14 anos de idade. Esse é momento de estimular a menina a ingressar no mercado de trabalho e instruí-la desde cedo a construir a sua independência financeira e ser líder de sim mesma.

Morar sozinha: Essa mulher opta pela independência e tem condições de manter financeiramente. Ela, com certeza se dedicará bastante ao trabalho por prover o próprio sustento. Ser solteira nem sempre significa estar disponível para relacionamentos. Uma mulher solteira pode perfeitamente trabalhar com outros homens, sem se relacionar com eles se esse for um critério da empresa. E, inclusive ela pode liderar homens e/ou mulher com postura profissional. Bel Pesce é um exemplo de jovem mulher empreendedora e independente. Ela influencia empreendedores no mundo inteiro. Imagina o quanto perderíamos se uma pessoa como a Bel Pesce estivesse silenciada.

Ser casada: A constituição de matrimônio é uma opção e não uma obrigação. Pode ter certeza que solteira ou casada a mulher não perde sua essência, apenas escolheu alguém para dividir a vida. Se optou por ser solteira, ótimo! É sinal que ela consegue viver bem consigo mesma. Se casou, excelente! A empresa pode comemorar junto e ter um plano de carreira definido integrado aos planos pessoas irão ajudá-la a ser ainda mais feliz na vida a dois. Um plano de carreira irá direcioná-la para onde deseja chegar e o que fazer para alcançar seus objetivos profissionais, inclusive a liderança. Interessante ter exemplos de liderança feminina na empresa para seguir. A atriz Fernanda Montenegro declarou que "Mulher que depende de homem está perdida". Isso significa que não devemos ser um fardo aos homens, dependendo eles para tudo, mas sim temos que fazer juntos o que precisa ser feito, como gerenciar a própria vida e as atividades profissionais. O livro "O Complexo de Cinderela" mostra o grau de dependência feminina, a tendência de busca por proteção e as atitudes que temos e nem sempre percebemos. Ter autoconhecimento para identificar tais atitudes torna-se indispensável para ações de mudança, mesmo que sejam lentas e graduais.

Se divorciar: A culpa não é somente da mulher se o casamento não foi bem-sucedido. Ela é ser um humano e não precisa ser assediada em seu ambiente de trabalho, ainda mais se está passando por momentos delicados na vida pessoal. Assédio gera processo trabalhista, além de um ambiente desagradável e improdutivo. Esse é o momento de apoiá-la profissionalmente, pois ela precisa continuar adiante na sua profissão. Esse é o momento de superação da mulher, onde ela reconstrói a vida pessoal e foca na carreira. Uma nova forma de liderar virá após uma revisão da sua vida. No filme "O vento levou", a protagonista se ergue após os divórcios e inova seus negócios, vendo oportunidades em momentos difíceis. No filme, produzido nos anos 1930, ela fica sozinha no final, pois esse era o preço a ser pago por sua independência. Felizmente, hoje ser independente não é sinônimo de solidão. E, estar só de bem consigo mesma pode ser tão bom quanto ter uma vida a dois. Isso depende da percepção de cada pessoa.

Ter filhos ou não: Decisão a ser tomada e respeitada. É no mínimo deselegante direcionar para a mulher a responsabilidade de ter filhos imediatamente após o casamento ou cobrar como se fosse uma obrigação. Ela é um ser humano e não uma fêmea reprodutora. Desnecessário questionar numa entrevista de emprego a previsão que a profissional deseja engravidar. Será que ela vai falar se a expectativa for após os três meses de contrato? E se ela engravidar, valorize esse momento, para ela voltar com mais energia ao trabalho, após a licença. Aliás, tem muito homem que fica mais tempo desempregado do que uma gestante em licença... E, se engana quem pensa que mulher com bebe pequeno vai sair todo dia para ir no médico. A não ser que a criança tenha uma doença grave e nesse caso é muito provável que essa mãe se dedique exclusivamente ao filho. Vamos refletir: Se um bebê é feito por um homem e uma mulher, então porque as saídas no médico são mais comuns para as mães do que para os pais? Talvez porque não esteja havendo uma divisão igualitária de cuidados com a criança. Ela está liderando tudo sozinha ou com pouca ajuda quando isso acontece. Se essa mulher tem essa capacidade na vida pessoal, então na empresa pode ter a mesma atitude.

"A maternidade é considerada uma escola para as mulheres que almejam a liderança. No trabalho de direção, coordenação e gestão exigem-se muitas das habilidades que a mulher desenvolve quando nascem seus filhos e como organizadora e administradora do lar: capacidade de organização, conciliação e equilíbrio entre diferentes atividades, como ensinar dirigir, monitorar, manejar conflitos ou dividir informações. " Carreira (2001, 68)

A autora citada acima, está longe de fazer um culto à maternidade e nem recrimina as mulheres que não desejam ser mães. Ela, simplesmente expõe que a profissional após a maternidade pode desenvolver muitas habilidades interessantes para o mercado de trabalho, em especial para cargos de liderança. Interessante pensar em como a vida pessoal influencia na profissional e nesse caso, de forma positiva.

Viuvez: A mulher madura, em muitos casos é viúva. Ela perdeu o marido e não o respeito, ainda mais se for idosa. Essa pessoa está passando por um momento complexo de adaptação. Essa viúva, tem muitas decisões para tomar que podem incluir assumir integralmente os negócios do marido, criar outros hábitos de lazer, buscar uma oportunidade no mercado de trabalho ou empreender. Cada vez mais comuns vagas de emprego para profissionais mais maduros. As empresas precisam estar prontas para receber essa cliente que conhece um serviço de qualidade e muitas vezes irá pagar pela exclusividade e qualidade do atendimento. Segundo reportagem do jornal O Sul, Bette Nash, com 81 anos é aeromoça mais velha do mundo em atividade e mostra que o trabalho atribui significado a sua vida.

Figura 3: Bette Nash, aeromoça mais velha do mundo - Fonte: O Sul

Esses foram alguns exemplos que acontecem com várias mulheres e com alguns homens. O importante é encarar homem e mulher com suas diferenças que possam agregar ao ambiente de trabalho. Para isso, o poder precisa ser compartilhado entre todos, sem distinção, apenas valorização do que cada pessoa tem de melhor.

As diferentes fases da vida feminina, juventude, meia idade e maturidade são permeadas de desafios a serem superados diariamente. Homens e mulheres são responsáveis por essa superação. Afinal, todos desejam ter harmonia nos relacionamentos pessoais e profissionais, sendo líderes das próprias vidas e conseguindo em equipe ter os resultados planejados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARREIRA, Denise. Org. Mudando o mundo: A liderança feminina no século XXI. São Paulo: Cortez; Rede Mulher de Educação, 2001.

DYCHTWALD, Maddy; LARSON, Chiristine. Trad; Maria Lúcia de Oliveira. O poder econômico das mulheres. Entenda como a independência feminina pode influenciar o mundo positivamente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

HUNTER, James. De volta ao mosteiro. O monge e o executivo falam de liderança e trabalho em equipe.. Trad. Vera Riberir. RJ: Sextante, 2014

MOSQUERA, Juan. Vida Adulta: Personalidade e desenvolvimento. POA: Sulina, 1978.

SITES CONSULTADOS

GLOBO. Fernanda Montenegro faz balanço sobre o poder da mulher: 'Avassalador'.Disponível em: https://gshow.globo.com/programas/na-moral/O-Programa/noticia/2014/08/fernanda-montenegro-faz-balanco-sobre-o-poder-da-mulher-avassalador.html Acesso em 13 mar. 2017

NATURA. Natura adere aos princípios de empoderamento feminino da ONU: Mulheres e do Pacto Global. Disponível em: https://www.natura.com.br/e/natura-adere-aos-principios-de-empoderamento-feminino-da-onu-mulheres-e-do-pacto-global Acesso em: 10 mar. 2017

ONU. Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/ods5/ Acesso em 10 mar. 2017

O SUL. Jornal. Comissária mais velha do mundo completa 60 anos de carreira. Disponível em: https://www.osul.com.br/comissaria-de-bordo-mais-velha-do-mundo-completa-60-anos-de-carreira/ Acesso em 10 mar.2017

PESCE, Bel. Em busca da minha melhor versão. Disponível em: https://www.belpesce.com.br/sobre Acesso em 12 mar. 2017

PRADO. Paschoal Ricardo. Pirâmide dos Níveis Neurológicos. Disponível em:

https://coacheadm.wordpress.com/2016/01/29/piramide-dos-niveis-neurologicos/ Acesso em 10 mar. 2017

QUAISER. Paula. Mapa de empatia. Disponível em: https://canvasacademy.com.br/mapa-de-empatia-2/ Acesso em 10 mar. 2017

REFERÊNCIAS DE FILMES:

FLEMING, Victor; CUKOR, George. Filme: O vento levou. 1939 - EUA - 240 min.

FRANKEL, David (diretor). Filme: O Diabo Veste Prada. 2006 - EUA - 110 min. 


Charlene Bitencourt Soster Luz

Professora de cursos técnicos em Administração e Logística,  Palestrante de temas relacionados à gestão e logística, Pesquisadora voluntária da linha de Empreendedorismo e Educadora Google. 

- Aspirante ao Mestrado em Educação.
- Pós-graduada em Formação de Professores pela QI (2016)
- Pós- graduada em Finanças pela ULBRA (2012).
- Graduada em Logística pela ULBRA (2010).

INTERESSADA EM:
-Palestras e treinamentos sobre Planejamento Estratégico, Empreendedorismo e Plano de negócios, Transporte e distribuição e Logística Reversa.
- Escrever artigos, matérias e livros
- Projetos e consultoriaVAMOS CONVERSAR?
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