Liderança e empoderamento feminino: por que falar deste assunto?

15/11/2016

Muito se tem ouvido sobre empoderamento feminino, contudo é preciso conhecer o significado e a importância deste assunto, ainda mais quando falamos em mercado de trabalho.


Muito se tem ouvido sobre empoderamento feminino, contudo é preciso conhecer o significado e a importância deste assunto, ainda mais quando falamos em mercado de trabalho. Segundo o site www.significados.com.br, "O empoderamento devolve poder e dignidade a quem desejar o estatuto de cidadania, e principalmente, a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro".

Com a natural ascensão feminina nos cargos de liderança no mundo, nós mulheres, ainda sofremos com preconceito. Somos uma pequena porcentagem de cargos deste nível no Brasil e há pouco estudo sobre o tema, e isso é o que nos remete a busca pela valorização feminina no mercado de trabalho. Através do empoderamento das mulheres, é possível chamar a atenção para este e criar formas de superar, inclusive, a desigualdade de salários, que em 2013 era de 20,8%, ou seja, os homens ganham mais que as mulheres no nosso país.

Para demonstrar como esse tema necessita ser tratado, leia o seguinte título da matéria publicada pelo Portal BBC em 27 de julho de 2015: "Você provavelmente não estará viva para ver a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho". Impactante, não? Segundo o Fórum Econômico Mundial, se continuarmos neste ritmo, apenas em 2095 conseguiremos ganhar o mesmo salário que um homem na nossa função.

Percebemos a lentidão da valorização feminina, principalmente, quando sabemos que as mulheres tendem a estudar mais, sendo a média de anos em 10,7 contra 9,17 dos homens. Esse é o momento que paramos para refletir as informações dos últimos dois parágrafos. Ganhamos menos e estudamos mais? Isso mesmo.

Vamos aos dados que nos colocam por dentro destas afirmações:

  1. Pesquisa "Women in Bussiness 2015" realizada pela empresa Grant Thorton.

O Brasil é o terceiro país com menos mulheres em cargos de liderança, tendo 57% das suas empresas apenas com homens nestes cargos.

Só perdemos para o Japão, com 66% das empresas com líderes apenas do sexo masculino, e da Alemanha, com 59%.

  1. Avaliação 360° realizada pela consultoria Zengel Folkman.

A mesma realizou a pesquisa com 16 mil líderes, destes, apenas 1/3 eram mulheres. Mas isto não impediu que elas tivessem a média de eficácia de 54,4% contra 51,8% dos homens nas competências conforme abaixo:

1. Tomam iniciativa;

2. Demonstra grande integridade e honestidade;

3. Foco e resultado;

4. Pratica o autodesenvolvimento;

5. Desenvolve a equipe;

6. Inspira e motiva as pessoas;

7. Constrói relacionamentos;

8. Colaboração e trabalho em equipe;

9. Campeão de mudança;

10. Estabelece motivos agressivos;

11. Resolve problemas e analisa erros;

12. Comunicação forte;

13. Conexão do grupo com o mundo exterior;

14. Inovação;

15. Experiência técnica e profissional;

16. Desenvolve uma perspectiva estratégica.

Provavelmente, você deve estar se perguntando: Por que isso? Podem ser listados alguns pontos que contribuem para tamanha discrepância:

  1. Preconceito de gênero: são atitudes sociais que discriminam as pessoas de acordo com o seu sexo. As mulheres são as mais afetadas através de ideias, palavras e atos quando comparadas ao homem.
  2. Tentativa de imitar gestões efetuadas por homens: por não terem nenhum modelo de gestão feminina e na tentativa de agradar a equipe, muitas líderes acabam tomando atitudes diferentes das que gostariam para criar uma figura de autoridade e isto acarreta na desaprovação dos demais envolvidos.
  3. Vínculo mais estreito com a família: mulheres são criadas de maneira a acreditarem que só elas podem exercer certos papéis dentro da sua família que outro membro, principalmente marido, não pode. Isto acaba sobrecarregando as colaboradoras e estas desistem de propostas de trabalho (ou nem são convidadas para tais).
  4. Subestimação das suas habilidades: as mulheres sofrem com barreiras em todas as fases de suas vidas e isso resulta em bloqueios para enxergar suas próprias capacidades.
  5. Competitividade entre as mulheres: quem nunca ouviu de uma mulher que ela prefere trabalhar num ambiente com vários homens do que num lugar apenas com mulheres? Eu já falei isso muitas vezes, até perceber que é preciso união e profissionalismo de ambos os sexos. Quando as mulheres atuam em conjunto para o próprio benefício, fica claro e muito visível, o sucesso obtido.

A partir do momento em que é feita a reflexão de todas estas informações, a semente do empoderamento começa a ser regada dentro das pessoas e é possível enxergar os principais itens que contribuem para a liderança feminina ser uma quebra de paradigmas. As mulheres possuem uma liderança revolucionária, com foco no relacionamento e maior flexibilidade diante das novas ideias que surgem (intraempreendedorismo da equipe), e isso, na era da informação, permite as empresas estarem à frente dos concorrentes através do rápido desenvolvimento ou melhorias de seus produtos.